Todos entendemos o que é obediência na vida prática. Mas é sempre bom recorrer ao
dicionário, para melhor compreendermos o significado mais amplo das palavras. No
Dic. Aurélio, encontramos pelo menos cinco definições para obediência: “1. Ato ou
efeito de obedecer. 2. Hábito de, ou disposição para obedecer. 3. Submissão à vontade
de alguém; docilidade. 4. Sujeição, dependência. 5. Submissão extrema”. Se
analisarmos cada uma dessas definições, e a aplicarmos à nossa vida de cristãos,
poderemos avaliar se somos de fato obedientes a Deus, ou não.
A primeira definição – “ato ou efeito de obedecer” – é óbvia. Jesus, sendo Deus, e
salvador, ao tornar-se homem, para salvar o homem, foi obediente: “Embora sendo
Filho, aprendeu a obediência, pelas coisas que sofreu” (Hb. 5.8).
A segunda definição merece reflexão: “Hábito de, ou disposição para obedecer”
(Mt. 26:39). Se queremos ser obedientes a Deus, necessitamos exercitar o “hábito” de
obedecer, e ter “disposição para obedecer”. Na experiência cristã, vivida na igreja local,
observamos, no dia a dia, que só os crentes sinceros, que têm compromisso com Deus, é
que são obedientes. Eles têm de fato a disposição interior para obedecer. Um jovem
terminou o namoro com uma jovem porque ela queria induzi-lo à prática da fornicação.
Ele disse que foi tentado, e sentiu o forte desejo de praticar o pecado, mas reagiu
firmemente, e separou-se daquele namoro que poderia levá-lo a desobedecer a Deus.
Por quê? Simplesmente, porque tinha a disposição para obedecer. Ele fez o que S. Paulo
aconselhou a Timóteo, seu jovem discípulo: “Foge, também, dos desejos da mocidade; e
segue a justiça, a fé, a caridade e a paz com os que, com um coração puro, invocam o
Senhor” (2 Tm 2.22).
A terceira definição – “submissão à vontade de alguém” (Fp 2: 5-8)– tem muito a
ver com a vida cristã. Só pode ser obediente a Deus quem é submisso a Ele. Em nossas
versões bíblicas, a palavra submissão é traduzida muito mais por sujeição: “Sujeitai-vos,
pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7). Essa submissão, ou sujeição
a Deus, é condição indispensável para ser vitorioso. Muitos crentes são derrotados, e
estão derrotados, porque não se submetem à vontade de Deus. Preferem submeter-se ao
“conselho dos ímpios” (Sl 1.1), mas não querem submeter-se a Deus; quantos estão
seguindo “direitinho” os “conselhos” das novelas, dos filmes, dos colegas da escola, do
trabalho, do quartel, dos parentes não crentes, buscando agradar ao mundo; e não
querem submeter-se a Deus. Para ser obediente a Deus, é necessário submissão à Sua
vontade.
A quarta definição – “Sujeição, dependência” (Jo. 15:5)– é equivalente à terceira,
pois refere-se à sujeição, mas acrescenta um elemento novo, que é a “dependência” de
alguém. Vivemos num mundo em que os valores éticos e morais estão sendo pisados, e
jogados na lata do relaxamento. Muitos, ilusoriamente, creem que são “livres”,
“independentes”, que não têm satisfação a dar a ninguém. Ledo engano. Todos somos
dependentes de alguém, ou de alguma coisa. Quem não se torna dependente de Deus,
automaticamente, torna-se dependente do mundo, da carne, ou do diabo. Não há
escolha. Todos somos dependentes. Só que, ao tornar-se dependente da carne, o crente
deixa de ser sujeito, ou dependente de Deus; ao se tornar dependente do mundo, torna-
se desobediente a Deus; ao tornar-se dependente do diabo (e não são poucos), acabam
perdidos, enganando e sendo enganados (cf. 2 Tm 3.1).
A quinta definição – “Submissão extrema” (Mt. 4:19-20) é apenas uma variante
enfática das anteriores. O crente sincero tem submissão extrema a Deus, obedecendo à
sua vontade. Só os crentes carnais, que fazem parte da “igreja que vai ficar”, é que não
se submetem totalmente à vontade de Deus.
Recebi uma ilustração interessante, via e-mail, que traduz bem o que significa ser
obediente. Vejamos:
O Fabricante de lápis falou com cada um de seus lápis dizendo:
- Existem cinco coisas que você precisa saber antes de eu lhe enviar para o mundo.
Sempre se lembre delas e você se tornará o melhor lápis que você pode ser. - Primeira: Você poderá fazer grandes coisas, mas só se você permitir-se estar seguro
na mão de Alguém. - Segunda: Você experimentará um doloroso processo de ser afiado de vez em quando,
mas isto é para te tornar um lápis mais útil e melhor. - Terceira: Os seus erros poderão ser corrigidos se por acaso vierem a acontecer.
(usando a borracha). - Quarta: A parte mais importante e mais valorizada de você sempre estará no seu
interior. - Quinta: Não importa a condição, você deve continuar a escrever. Você deve sempre
deixar uma marca clara e legível não importa o quão difícil seja a situação. ”Todos os
lápis entenderam, prometendo lembrar-se sempre, e entraram na caixa compreendendo
completamente o propósito do seu Fabricante”.
Para concluir, perguntamos: Estamos sendo como os lápis, que se concientizaram que
só podiam cumprir bem sua missão, se obedecessem ao fabricante? Estamos de fato
obedecendo a Deus? Ou estamos apenas fazendo de conta que somos crentes em Jesus?
Lembremos: “o obedecer é melhor do que o sacrificar” (l Sm 15:22).