O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO

09
dez

Gênesis 16.1-4 e 21.1-4 O

Vamos começar este série de estudos definindo o que é milagre. Não será difícil, pois
usamos esta palavra frequentemente.
Por exemplo, quando um jogador de futebol chuta a bola e faz aquele gol “impossível”
aos 48 minutos do segundo tempo, dizemos “foi um milagre!”; ou quando um carro
desgovernado capota várias vezes em uma estrada e o motorista sai dele, alguns
momentos antes do carro explodir, dizemos o mesmo: “milagre!”.
Na verdade, sabemos que eventos assim acontecem, sem a necessidade de um
milagre. As pessoas dizem “milagre” porque é algo impressionante, ou quase
impossível de ter acontecido. Mas, então, o que é milagre?
Podemos definir “milagre” como um acontecimento além do normal que revela a
presença e o poder de Deus.
A Bíblia usa, basicamente, três palavras para passar a ideia de milagre. As palavras
são: sinais, maravilhas e prodígios (Jo 4.48; At 2.22,43; 5.12; 2Co 12.12; Hb 2.4; Mt
21.15 e Mc 6.2).
Milagres são chamados de sinais porque, como todos os sinais, eles apontam, para
além de si mesmos, para algo mais importante. Partindo dessa definição é que
estudaremos aquilo que aconteceu na vida de Abraão e Sara.
1 – A PROMESSA DE UMA GRANDE NAÇÃO
Deus estabeleceu um povo para ser sua propriedade particular com a missão de
proclamar a todos os povos o seu nome, feitos, moral, governo, etc. E não só isso,
mas também para aplicar o seu juízo sobre as nações ímpias.
A formação desse povo começaria com Abraão. Deus havia prometido a Abraão que
dele nasceria uma grande nação (Gn 12.1,2). Esta nação seria numerosa como as
estrelas do céu e como a areia do mar (Gn 22.17).
A família de Abraão seria muito, muito grande. Porém, havia um problema. Sara, a
mulher de Abraão, era estéril, não podia ter filhos. Como, então, formar uma grande
nação a partir de um casal que não podia ter filhos? Impossível, você não acha?
2 – DANDO UMA AJUDA AO PLANO DE DEUS?
Abraão estava um tanto quanto chateado com Deus. Como ele poderia ser o pai de
uma grande nação se o Senhor não lhe dava filhos? Passados vários anos da
promessa, Abraão tentou ajudar o plano de Deus.
Nessa tentativa ele procurou identificar um descendente entre aqueles que estavam
com ele, pois disse: “Senhor Deus, que me haverás de dar, se continuo sem filhos e o
herdeiro da minha casa é o damasceno Eliézer? Disse mais Abrão: A mim não me
concedeste descendência, e um servo nascido na minha casa será o meu herdeiro.”
(Gn 15.1,2).

Abraão achou que a grande nação poderia ser formada a partir de alguém muito
próximo seu: Eliézer, seu mais fiel servo, nascido em sua casa. Logicamente, Abraão
estava errado, pois Eliézer não era seu filho legítimo. Não poderia ser considerado
descendente. Veja a resposta de Deus a esta tentativa de ajuda: “Não será esse o teu
herdeiro; mas aquele que será gerado de ti, será o teu herdeiro” (Gn 15.4).
A segunda tentativa de Abraão em “ajudar” o plano de Deus se deu logo em seguida à
primeira. Sara, sua mulher, disse a Abraão: “Eis que o SENHOR me tem impedido de
dar à luz filhos; toma, pois, a minha serva, e assim me edificarei com filhos por meio
dela” (Gn 16.2). A lógica de Sara foi a seguinte: “O herdeiro tem que ser gerado por
Abraão, mas eu não posso ter filhos, então, farei com que Abraão gere este filho em
Hagar, minha serva”.
Abraão concordou com o plano e teve um filho com Hagar, a quem pôs o nome de
Ismael. Abraão tinha 86 anos quando nasceu este filho.
Assim como Abraão, às vezes, queremos dar “uma ajudinha” nos planos de Deus. Por
exemplo, você pede um(a) namorado (a) a Deus e, como “ajuda”, todo domingo vai a
uma igreja diferente, tentando provocar um encontro que só o Deus soberano pode
efetuar.
3 – UM MILAGRE RENOVA A PROMESSA
Treze anos depois do nascimento de Ismael, o SENHOR apareceu novamente a
Abraão e lhe disse:
“Te multiplicarei extraordinariamente” (Gn 17.2) “por pai de numerosas nações
te constituí. Far-te-ei fecundo extraordinariamente, de ti farei nações” (Gn
17.5,6) “A Sarai, tua mulher, já não lhe chamarás Sarai, porém Sara. Abençoála-ei e dela te darei um filho; sim, eu a abençoarei, e ela se tornará nações; reis
de povos procederão dela. Então, se prostrou Abraão, rosto em terra, e se riu,
e disse consigo: A um homem de cem anos há de nascer um filho? Dará à luz
Sara com seus noventa anos?” (Gn 17.15-17).
Abraão riu duvidando que, aos cem anos de idade, seria pai. E Sara fez a mesma
coisa: “Riu-se, pois, Sara no seu íntimo” (Gn 18.12). Ela duvidou que, sendo velha (e
estéril) poderia ter um filho (Gn 18.13).
Note que Abraão creu em Deus quando foi chamado para ir a um lugar que não sabia
onde era, deixando seus parentes e amigos (Gn 12.1), mas não creu que Deus podia
lhe dar um filho, por causa da velhice dos dois e da esterilidade de Sara.
Entretanto, Deus agiu de forma miraculosa: “Visitou o SENHOR a Sara, como lhe
dissera, e o SENHOR cumpriu o que lhe havia prometido. Sara concebeu e deu à luz
um filho a Abraão na sua velhice, no tempo determinado, de que Deus lhe falara. Ao
filho que lhe nasceu, que Sara lhe dera à luz, pôs Abraão o nome de Isaque.
Abraão circuncidou a seu filho Isaque, quando este era de oito dias, segundo Deus lhe
havia ordenado. Tinha Abraão cem anos, quando lhe nasceu Isaque, seu filho.” (Gn
21.15)•

Por vezes, também agimos como Abraão. Cremos em algumas coisas que Deus nos
promete, mas não cremos em outras.
Cremos que ele pode salvar aquele jovem que visitou a igreja no domingo passado,
mas não cremos que ele possa salvar nosso pai, ou nossa mãe que ainda não são
crentes, ou aquele colega da classe, envolvido com drogas. Não podemos agir assim.
A historia de Abraão nos mostra que Deus é completamente soberano e pode todas as
coisas.
Aplicação
Os milagres são chamados de sinais porque apontam para algo mais importante. Na
história que estudamos hoje, o milagre apontou para a soberania de Deus.
Deus mostrou sua soberania sobre a formação da vida fazendo com que uma criança
nascesse, mesmo sendo seus pais velhos e sua mãe estéril. Ele também mostrou sua
soberania na formação de seu povo escolhido. Povo do qual fazemos parte hoje, por
meio de Jesus Cristo.
Tudo isso nos ensina a crer em Deus e em suas promessas. Mesmo quando tudo
parece contrário e impossível, Deus revela o seu poder e transforma as situações.
Para ele não há impossíveis (Lc 1.37). Os nossos impossíveis são possíveis para ele
(Lc 18.27).
AUTOR: MÁRIO EDUARDO DE OLIVEIRA

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