A FORNALHA DE FOGO

09
dez

Daniel 3
Geralmente, as pessoas costumam lidar com questões de fidelidade e submissão
como se estivessem fazendo uma troca. Namorado e namorada prometem ser fiéis um
ao outro, mas se algum deles cai em infidelidade, em muitos casos, o outro já se vê
livre para sair com quem quiser.
Prometemos ser submissos às autoridades constituí’ das, mas se os governantes
agem de forma corrupta nos vemos no direito de desobedecê-los. Costumamos ser
amigos das pessoas, se elas sempre nos tratam bem; caso contrário, a amizade
acaba.
Com Deus as coisas não funcionam desse modo. Ele sempre é fiel à sua Aliança,
mesmo que sejamos infiéis, e muitas vezes o somos. Os amigos de Daniel também
demonstraram fidelidade e submissão à soberania de Deus. Dispuseram-se para fazer
o que fosse da vontade de Deus. Vamos procurar entender melhor essa questão.
1 – RECONHECENDO A SOBERANIA DE DEUS
Tomaremos como base o texto de Daniel 3.16-18. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego
estavam em uma situação bastante difícil, eles foram acusados de desobedecer ao
decreto do rei Nabucodonosor.
Pelo decreto do rei, quando fossem tocados certos instrumentos em conjunto, todos
deveriam prostrar-se diante da estátua de Nabucodonosor e adorá-la. Eles foram
levados diante do rei, que disse a eles que quando fossem tocados os instrumentos
eles deveriam prostrar-se e adorar a imagem que ele fizera, pois, senão, seriam
lançados numa fornalha de fogo.
Imagine-se numa situação como essa. Poderíamos dar nosso “jeitinho”, não é
mesmo? Seria fácil que pensássemos algo parecido com o que segue: “Ora, Deus
sabe que eu o amo e que não adoro a outros deuses. Ele vai entender se eu me
prostrar diante da estátua do rei agora, somente para que eu não seja morto”. Seria
fácil, não?
Os amigos de Daniel não pensaram desse modo. Eles agiram com fidelidade,
reconhecendo a soberania de Deus. Nabucodonosor perguntou de modo irônico: “E
quem é o Deus que vos poderá livrar das minhas mãos?” (v. 15).
A resposta deles para essa pergunta foi bastante firme. Eles não estavam certos de
que seriam libertados da fornalha de fogo. Sua certeza era a de que Deus faria a sua
vontade, pois ele é Soberano, e é o Deus a quem eles serviam.
A resposta deles ao rei inicia com uma condicional – “se”. Sua primeira afirmação
demonstra que eles sabem que Deus é poderoso para livrá-los da fornalha de fogo
ardente, mas isso se ele quiser. Deus é quem sabe o que é melhor para os seus
servos e ele é quem sabe se deve livrá-los da fornalha de fogo ou não; ele é o Senhor.
Em muitas situações de nossa vida, esquecemos de considerar a soberania de Deus.
Gostamos de ter tudo sobre nosso controle e não nos lembramos de que Deus é quem

Nós o chamamos de Senhor, de Rei, de Todo-Poderoso, mas na hora de praticar o
que dizemos as coisas parecem funcionar um pouco diferentes.
Devemos agir sempre com fidelidade a Deus e sabendo que ele fará sempre a
vontade dele e que isso é o melhor para nossa vida. Os amigos de Daniel
reconheceram a soberania de Deus e nós também temos que fazê-lo.
2 – SUBMETENDO-SE À SOBERANIA DE DEUS
Reconhecer que Deus é soberano é uma coisa, submeter-se à sua soberania já é um
passo bem maior e mais difícil de ser dado. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego
estavam numa situação de vida ou morte.
Eles poderiam simplesmente ter se prostrado diante da estátua do rei, mas sabiam
que isso era idolatria e seria desobedecer a Deus. Preferiram obedecê-lo, reconhecer
e afirmar sua soberania e submeter-se a ela.
A continuação da resposta dos amigos de Daniel ao rei apresenta um outro “se”. Eles
haviam dito que Deus poderia livrá-los, se ele quisesse, e agora continuam: “Se não,
fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de
ouro que levantaste” (v. 18).
Eles se colocaram nas mãos de Deus. Se Deus não quisesse fazer com que
escapassem da morte na fornalha, ainda assim, eles não praticariam a idolatria e
seriam fiéis a Deus, confiando em sua soberania.
Deus pode nos curar de uma doença ou não; pode nos dar um emprego ou não; pode
nos livrar de um assalto ou não; e uma infinidade de outras coisas pode acontecer ou
não, sempre conforme a vontade de Deus. Será que estamos sempre prontos a
aceitar a vontade de Deus para nossa vida, quer ela pareça boa para nós ou não?
Os versos seguintes de nosso texto básico mostram que Deus agiu de modo
sobrenatural e livrou a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego de morrerem na fornalha de
fogo. Foi um milagre grandioso. Nabucodonosor ordenou que os homens mais fortes
do seu exército amarrassem os três jovens e os lançassem na fornalha.
A fornalha estava tão quente que matou os homens que jogaram Sadraque, Mesaque
e Abede-Nego dentro dela. Como eles estavam amarrados, caíram deitados dentro da
fornalha. Porém, o milagre aconteceu.
O rei Nabucodonosor se levantou espantado, não acreditando no que via e perguntou:
“Nós não lançamos três homens amarrados dentro do fogo?” E os conselheiros
responderam que sim.
Nabucodonosor continuou: “Eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam
passeando dentro do fogo, sem nenhum dano; e o aspecto do quarto é semelhante a
um filho dos deuses” (Dn 3.25).
Eles foram lançados na fornalha, mas nada lhes aconteceu. Nabucodonosor ainda viu
um quarto homem com eles na fornalha, a quem descreveu como “um filho dos
deuses” – era o anjo do Senhor, salvando os jovens do fogo.

A soberania de Deus ficou clara nesse episódio. Nabucodonosor, que havia
perguntado de modo irônico sobre quem era o deus que os poderia livrar de suas
mãos, acaba afirmando: “Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego,
que enviou o seu anjo e livrou os seus servos, que confiaram nele, pois não quiseram
cumprir a palavra do rei, preferindo entregar o seu corpo, a servirem e adorarem a
qualquer outro deus, senão ao seu Deus” (v. 28).
O rei ainda fez um decreto que dizia que qualquer povo, nação ou língua que
blasfemasse contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego fosse
despedaçado. O rei presenciou a confiança dos servos de Deus. Eles decidiram
obedecer a Deus, quer os livrasse da morte, quer não.
Aplicação
O milagre que estudamos hoje, nos ensinou que devemos reconhecer a soberania de
Deus e nos submeter a ela. Desde crianças nos acostumamos a fazer alguma coisa
desde que obtenhamos algo em troca. Os pais dizem: “Se você ficar quietinho irá
ganhar isso; Se passar de ano vai ganhar aquilo; etc.”.
Submeter-se à soberania de Deus é bem diferente disso. Devemos agir procurando
fazer a vontade de Deus, quer isso resulte em alguma bênção ou não. Obedecemos
sabendo que Deus fará sempre o melhor para nossa vida, mesmo que o que vier a
acontecer não pareça ser o melhor para nós.
Faça uma relação dos planos que você tem para sua vida. Seus desejos relacionados
a trabalho, estudos, namoro, etc. Depois, ore e peça a Deus que o ensine a submeterse à sua vontade soberana e o faça compreender que cada um dos seus projetos
pode resultar no que você espera ou não, mas que Deus continuará a ser Deus e você
continuará a servi-lo.
AUTOR: MARCELO SMEETS

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